sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Financial Times diz que o horário eleitoral brasileiro é um 'circo político' onde todos mentem e faz o Brasileiro chorar


Reportagem faz críticas ao horário eleitoral e aos políticos brasileiros



O Financial Times publicou nesta terça-feira (9), uma reportagem sobre as propagandas eleitorais obrigatórias exibidas na televisão aberta brasileira. Com o título, “Circo de risadas que faz os brasileiros chorarem”, a matéria faz críticas aos candidatos e seus discursos. O texto começa explicando para seus leitores que, ao invés das “novelas arrebatadoras”, o brasileiro que liga a TV no horário nobre se depara com “Tiririca, que concorre a um segundo mandato no Congresso”.


Ainda sobre o deputado, o Financial Times comenta que seu discurso é produzido por “linhas sem sentido”. O jornal explica para seus leitores a história de Tiririca, destacando seu passado como palhaço e informando que, com o slogan “você saber o que um deputado faz em Brasília? Nem eu. Vote em mim e eu vou descobrir”, Tiririca se tornou um dos deputados mais votados da história do país. Segundo o jornal, o ex-palhaço representa a repulsa generalizada do povo com a classe política. O Financial, então, lembra as manifestações de julho para exemplificar a insatisfação dos brasileiros com a política nacional.


Contextualizando a aparição de Tiririca na televisão, o texto volta a falar do horário eleitoral. Segundo a matéria, o “circo político” começa com as propagandas da atual presidente, Dilma Rousseff (PT), e se estende aos demais políticos que brigam por uma vaga no Congresso. O artigo esclarece que cada candidato dispõe de um tempo cronometrado para falar, que varia de segundos a minutos.


O Financial define as propagandas eleitorais como “o oposto de reality show” e explica dizendo que, no horário eleitoral, “a verdade é a primeira vítima, substituída por fantasia e ficção”. A partir daí o jornal inglês faz uma série de críticas aos candidatos à presidência da República.
Levy Fidelix (PRTB) é definido pela reportagem como “um Asterix em envelhecimento, com seu bigode e careca”. O texto diz que se trata de um presidenciável "menor" e critica sua visão econômica.

A reportagem segue, dessa vez, falando sobre Dilma Rousseff (PT). O texto diz que ela “domina o show” devido à forte presença do seu partido no Congresso Nacional. O Financial Times aproveita para criticar a economia brasileira dizendo que, apesar de Dilma negar que haja uma recessão, os dados apontam que o país está vivendo uma crise econômica.

Sobre a propaganda de Aécio Neves (PSDB), o artigo define como “surreal”. Ainda sobre os tucanos, o Financial Times fala sobre Paulo Maluf. Ressaltando que ele está inelegível por corrupção, o jornal inglês aponta que o político continua aparecendo no horário eleitoral para pedir votos para o seu partido. Em seguida, é citada uma frase dita, "sem um pingo de ironia" por Maluf durante a propaganda: “a única coisa boa em um criminoso é quando ele está na prisão".

Voltando a falar sobre Tiririca, o jornal o define como “o mais descarado”. Relembrando as propagandas com cunho humorístico, o Financial diz que “o triste é que os brasileiros provavelmente vão optar por ele novamente para mostrar o seu descontentamento com a política. O que eles não entendem é que o partido de Tiririca pode usar os votos para trazer outros candidatos. Com o sistema de representação proporcional no Brasil, um voto para um candidato significa um voto para o partido no estado”.

A reportagem é finalizada falando que, paradoxalmente, os brasileiros sustentam um circo político que desprezam. “Tiririca pode fazer as pessoas rirem, mas, para aqueles que entendem o sistema político, ele é apenas mais um motivo para chorar”, conclui o jornal.